Tuesday, November 25, 2008

Autumn Leaves






My pics

Saturday, November 15, 2008

Uma estante para Joana Morais Varela

http://joanavarela.blogspot.com/

Wednesday, November 12, 2008

This is not bossa nova


Os afro-sambas de Baden Powell num dos melhores concertos de todos os tempos. Sim, está o Vinicius. Sim, está o Jobim. Sim, está o Toquinho. E sim, a menina é mesmo a Miúcha. Itália, 1978.

Pérolas da Bossa

Vou te contar...: 50 Anos de Bossa Nova Preview


Marcos Valle
Os Grilos, aka Crickets sing for Ana Maria

Tuesday, November 11, 2008

Purple Atumn

My orchid, my pic

PURPLE CLOVER

There is a flower that bees prefer,
And butterflies desire;
To gain the purple democrat
The humming-birds aspire.

And whatsoever insect pass,
A honey bears away
Proportioned to his several dearth
And her capacity.

Her face is rounder than the moon,
And ruddier than the gown
Of orchis in the pasture,
Or rhododendron worn.

She doth not wait for June;
Before the world is green
Her sturdy little countenance
Against the wind is seen,

Contending with the grass,
Near kinsman to herself,
For privilege of sod and sun,
Sweet litigants for life.

And when the hills are full,
And newer fashions blow,
Doth not retract a single spice
For pang of jealousy.

Her public is the noon,
Her providence the sun,
Her progress by the bee proclaimed
In sovereign, swerveless tune.

The bravest of the host,
Surrendering the last,
Nor even of defeat aware
When cancelled by the frost.
Emily Dickinson

I Went...

herbert - The Audience (J. Lidell Mix)
Found at skreemr.com



Primeiro o Matthew Herbert ofereceu a versão demo para download no myspace. Gostei.
Depois o Rui Vargas passou-a no seu programa da Antena 3. Adorei.
A seguir comprei o disco. Became addicted.
Ontem abriu um concerto absolutamente brilhante: The story, para ouvir aqui. Com a voz e a presença da impressionante Eska Mtungwazi.
Quanto ao concerto, quem esteve, esteve. E gostaria de voltar a estar. Como se hoje ainda pudesse ser segunda-feira. E fosse possível voltar a ouvir The Audience interpretada por Eska no lugar de Dani.
Encore.

You are my flesh
You are my bones

You are endless shifting tones

You are my eyes you are my ears

You are the salt within my tears

You are my noise you are my sound

You are the dark and shifting ground

You are my yes you are my no

You are rarely wrong i know


So move with me

With me removed


You are my down you are my up

You're so now never give up

You are my last you are my first
You are my good luck and my worst

You are my love you are my pay
You see green when i see grey

You are my bad i am your good

There are words misunderstood


So move with me

With me removed


You are my fingers i am your hand

I am your three man one man band

You are my breath i am your tongue

I feel old when you look young

I am your feet you are my toes

Where you come from no-one knows
I am your vision

You are my scent
I am borrowed you are lent
I am nervous you are calm
I see lines upon your palm

I am close we are near

Though the ending is not clear

We are separate we are one

The division has begun

You are my future i am your past

Even music will not last


So move with me

With me removed


You and us together

Together in this room
You will not remember
This passing moment soon

São Martinho I

Van Gogh
Blossoming Chestnut Branches
1890

E. G. Bührle Collection, Zurique

São Martinho II

Oda a una castaña en el suelo
Pablo Neruda

Del follaje erizado
caíste
completa
de madera pulida,
de lúcida caoba,
lista
como un violín que acaba
de nacer en la altura,
y cae
terminado en secreto
entre pájaros y hojas,
escuela de la forma,
linaje de leña y de la harina,
instrumento ovalado
que guarda en su estructura
delicia intacta y rosa comestible.
En lo alto abandonaste
el erizado erizo
que, entreabrió sus espinas
en la luz del castaño,
por esa partidura
viste el mundo,
pájaros
llenos de sílabas,
rocío
con estrellas,
y abajo
cabezas de muchachos y muchachas,
hierbas que tiemblan sin reposo,
humo que sube y sube.
Te decidiste,
castaña,
y saltaste a la
tierra,
bruñida y preparada,
endurecida y suave
como un pequeño seno
de las islas de América.
Caíste
golpeando
el suelo
pero nada pasó,
la hierba
siguió temblando, el viejo
castaño susurró como las bocas
de toda una arboleda,
cayó una hoja del otoño rojo,
firme siguieron trabajando
las horas en la tierra.
Porque eres
sólo
una semilla,
castaño,
otoño, tierra,
agua, altura, silencio
prepararon el germen,
la harinosa
espesura,
los párpados maternos
que abrirán, enterrados,
de nuevo hacia la altura
la magnitud sencilla
de un follaje,
la oscura trama húmeda
de unas nuevas raíces,
las antiguas y nuevas dimensiones
de otro castaño en la tierra.

São Martinho III

Ferdinando Scianna

Monday, November 10, 2008

I'm listening

I'm coming

Tonight @ Casa da Música

Friday, November 7, 2008

JP music lesson

Dance for rental


Blindness and Insight

But he, though blind of sight,
Despised and thought extinguished quite,
With inward eyes illuminated,
His fiery virtue roused
From under ashes into sudden flame

John Milton, Samson Agonistes

Diário da Cegueira

O filme é violento por uma questão de lógica: se de repente todas as pessoas cegam é óbvio que toda a estrutura social vá abaixo. Isto somos nós. E nós somos capazes do melhor e do pior, sobretudo do pior. O que é que estavam à espera? Ceguinhos a amparar ceguinhos? Há fome, não se sabe aonde ir buscar comida. Há caos. O caos gera a violência. O filme tinha de ser violento.

José Saramago

Da Fotografia, ainda

O outro lado

Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade (ou da minha estupidez, segundo alguma opinião mais radical) e me dariam a única resposta que nunca me poderia convencer: “As coisas, quando não olhamos para elas, são iguais ao que parecem quando não estamos a olhar”. Sempre achei que as coisas, quando estavam sozinhas, eram outras coisas. Mais tarde, quando já havia entrado naquele período da adolescência que se caracteriza pela desdenhosa presunção com que julga a infância donde proveio, acreditei ter a resposta definitiva à inquietação metafísica que atormentara os meus tenros anos: pensei que se regulasse uma máquina fotográfica de modo a que ela disparasse automaticamente numa habitação em que não houvesse quaisquer presenças humanas, conseguiria apanhar as coisas desprevenidas, e desta maneira ficar a conhecer o aspecto real que têm. Esqueci-me de que as coisas são mais espertas do que parecem e não se deixam enganar com essa facilidade: elas sabem muito bem que no interior de cada máquina fotográfica há um olho humano escondido… Além disso, ainda que o aparelho, por astúcia, tivesse podido captar a imagem frontal de uma coisa, sempre o outro lado dela ficaria fora do alcance do sistema óptico, mecânico, químico ou digital do registo fotográfico. Aquele lado oculto para onde, no derradeiro instante, ironicamente, a coisa fotografada teria feito passar a sua face secreta, essa irmã gémea da escuridão. Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.

José Saramago, O Caderno de Saramago
7 de Outubro de 2008

Thursday, November 6, 2008

Vivre sa vie, danser sa danse



Godard, Godard...

New camera. New eyes.


Older cameras. unClassic eyes.



Compact eyes.












Lomo eyes.

Wednesday, November 5, 2008

He had a dream



we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force.

their freedom is inextricably bound to our freedom

We cannot walk alone.

We cannot turn back.

I still have a dream.
It is a dream deeply rooted in the American dream.

I have a dream that my four little children
will one day live in a nation
where they will not be judged by the color of their skin
but by the content of their character.


I have a dream today.
And if America is to be a great nation
this must become true.

Tuesday, November 4, 2008

Clap Your Hands Say Yeah

On est de son enfance comme on est d'un pays

Antoine de Saint-Exupéry

The Right Combination

Friday, October 31, 2008

Piquenas Esculturas

Busco a beleza na forma;
E jamais
Na beleza da intenção
A beleza que perdura.

Só porque o bronze é de boa qualidade
Não se deve
Consagrar uma escultura.

António Botto

Wednesday, October 29, 2008

Dois no Choro



Chico Buarque e Tom Jobim interpretam «Choro Bandido» (comp. Edu Lobo)

Dois na Bossa

Tuesday, October 28, 2008

Percamos palavras como folhas
perdem no outono as árvores.

Ruy Belo, «Advento do anjo»
Aquele Grande Rio Eufrates

Papillon

the most highly coveted of ornamental plants

la séduction, la sensualité, la beauté suprême
delicate, exotic and graceful
symbole de passion et de folie
represents love, luxury, beauty and strength
ferveur amoureuse et érotisme
rare and delicate beauty
connu sous le nom d'orchidée papillon
pink orchids convey pure affection



penetrar o sangue e nele imprimir
uma orquídea de fogo e lágrimas

Carlos Drummond de Andrade
Amar se Aprende Amando,
1985

Friday, October 24, 2008

Wednesday, October 22, 2008


Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas q
ue,
Uma vez atingidas,

O caçador não repare na sua queda


Daniel Faria



Chris Steele-Perkins
Durham, 2003

No Jo

Tuesday, October 21, 2008

2008, Ano da Bossa

A música é só música, eu sei. Não há
outros termos em que falar dela a não ser que
ela mesma seja menos que si mesma. Mas
o caso é que falar de música em tais termos
é como descrever um quadro em cores e formas e volumes, sem
mostrá-lo ou sem sequer havê-lo visto alguma vez.
Vejamo-lo, bem sei, calados, vendo. E se a música
for música, ouçamo-la e mais nada.

Quando, no fim,
aquele tema torna não é para encerrar
num círculo fechado uma odisseia em teclas,
mas para colocar-nos ante a lucidez
de que não há regresso após tanta invenção.
Nem a música, nem nós, somos os mesmos já.

Neste silêncio, que ficou, flutua?
O quê?
Nós?
Como tão pouco restaria?

Jorge de Sena

After Eighties

Monday, October 20, 2008

Vinicius dixit

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente





De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Saturday, October 18, 2008

até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza

Herberto Helder, claro
2008 vs. 1962

Wednesday, October 15, 2008

Eu vou :)


Há coisas fantásticas, não há?
10 de Novembro, na Casa da Música.
Sem Dani :(

Tribute to TruThoughts and to my B&W kitchen


Belleruche
Anything you want (not that)
Tru Thoughts 2008

Tuesday, October 14, 2008

Jazzanova fresquinhos fresquinhos

JAZZANOVA "Of All The Things" EPK 2008

Colores de Tenerife










Assim gela

Vendo que eu não men­tia ele falou:
as mu­lheres são complicadas. Homem é tão sin­gelo.
Eu sou sin­ge­lo. Fica singela também.
Respondi que que­ria ser singela e na mes­ma hora,
singela, singela, comecei a repetir sin­ge­la.
A pa­­la­vra des­tacou‑se novíssima
como as buganvílias do so­nho. Me atro­pe­lou.
[…]
Como nenhum de nós podia ir mais além,
so­lucei alto e fui cho­rando, chorando,
até ficar singela e dormir de no­vo.

Adélia Prado, Bagagem

zeugmas, gosto muito dos do machado

Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas

zeugmas, gosto muito

Es­tou fazendo um vestido,
uma tarde linda e um cha­péu

Adélia Prado, Bagagem

herberto, o último

basta que te dispas até te doeres todo,
retoma-te no tocado, no aceso,
e fica cego e,
por memória do tacto, desfaz os nós,
muitos, muito
atados uns nos outros,
e que inteiramente te alcance o ar e,
depois de te haver abraçado de alto a baixo, apareça já
inextricável, ar
falado, a fino ouvido: cacofónico,
mas de um modo exacto, acho,
música inquieta, inconjunta, impura,
isso: essa música

Herberto Helder, A Faca Corta o Fogo, 2008

Teoria da Farmácia

É piroso sim senhora.
Mas esta semana é impossível cantarolar outra coisa.
E verdade seja dita: nada melhor para enfrentar dias cinzentos.

Pharmakon, chamavam-lhe os gregos... Entre o remédio e o veneno. A diferença está só na dose.
(bibl.: Jacques Derrida, «La Pharmacie de Platon», in La Dissémination, Paris, Seuil, 1972)

You can dance, you can jive, having the time of your life...

ABBA - Dancing Queen
Found at skreemr.com

Friday, October 3, 2008

The Show Must Go On...

I'll be playing this

Marlena Shaw - California Soul (Diplo/ Mad Decent Remix)
Found at skreemr.com

Marlena Shaw
California Soul
Diplo/Mad Decent Mix

Friday, September 26, 2008

Wednesday, September 24, 2008

Diggin' my Soul


Raphael Saadiq feat. Joss Stone
Just One Kiss

Diggin' for Myself

Diggin' for Niños

Afinidades Electivas

Federico García Lorca
y
Salvador Dalí

1927

ODA A SALVADOR DALI

Una rosa en el alto jardín que tu deseas.
Una rueda en la pura sintaxis del acero.
Desnuda la montaña de niebla impresionista.
Los grises oteando sus balaustradas últimas.

Los pintores modernos, en sus blancos estudios,
cortan la flor aséptica de la raíz cuadrada.
En las aguas del Sena un iceberg de mármol
enfría las ventanas y disipa las yedras.

El hombre pisa fuerte las calles enlosadas.
Los cristales esquivan la magia del reflejo.
El Gobierno ha cerrado las tiendas de perfume.
La máquina eterniza sus compases binarios.

Una ausencia de bosques, biombos y entrecejos
yerra por los tejados de las casas antiguas.
El aire pulimenta su prisma sobre el mar
y el horizonte sube como un gran acueducto.

Marineros que ignoran el vino y la penumbra
decapitan sirenas en los mares de plomo.
La Noche, negra estatua de la prudencia, tiene
el espejo redondo de la luna en su mano.

Un deseo de formas y límites nos gana.
Viene el hombre que mira con el metro amarillo.
Venus es una blanca naturaleza muerta
y los coleccionistas de mariposas huyen.

*

Cadaqués, en el fiel del agua y la colina,
eleva escalinatas y oculta caracolas.
Las flautas de madera pacifican el aire.
Un viejo dios silvestre da frutas a los niños.

Sus pescadores duermen, sin ensueño, en la arena.
En alta mar les sirve de brújula una rosa.
El horizonte virgen de pañuelos heridos
junta los grandes vidrios del pez y de la luna.

Una dura corona de blancos bergantines
ciñe frentes amargas y cabellos de arena.
Las sirenas convencen, pero no sugestionan,
y salen si mostramos un vaso de agua dulce.

*

¡Oh Salvador Dalí, de voz aceitunada!
No elogio tu imperfecto pincel adolescente
ni tu color que ronda la color de tu tiempo,
pero alabo tus ansias de eterno limitado.

Alma higiénica, vives sobre mármoles nuevos.
Huyes la oscura selva de formas increíbles.
Tu fantasía llega donde llegan tus manos,
y gozas el soneto del mar en tu ventana.

El mundo tiene sordas penumbras y desorden,
en los primeros términos que el humano frecuenta.
Pero ya las estrellas ocultando paisajes,
señalan el esquema perfecto de sus órbitas.

La corriente del tiempo se remansa y ordena
en las formas numéricas de un siglo y otro siglo.
Y la Muerte vencida se refugia temblando
en el círculo estrecho del minuto presente.

Al coger tu paleta, con un tiro en un ala,
pides la luz que anima la copa del olivo.
Ancha luz de Minerva, constructora de andamios,
donde no cabe el sueño ni su flora inexacta.

Pides la luz antigua que se queda en la frente,
sin bajar a la boca ni al corazón del hombre.
Luz que temen las vides entrañables de Baco
y la fuerza sin orden que lleva el agua curva.

Haces bien en poner banderines de aviso,
en el límite oscuro que relumbra de noche.
Como pintor no quieres que te ablande la forma
el algodón cambiante de una nube imprevista.

El pez en la pecera y el pájaro en la jaula.
No quieres inventarlos en el mar o en el viento.
Estilizas o copias después de haber mirado
con honestas pupilas sus cuerpecillos ágiles.

Amas una materia definida y exacta
donde el hongo no pueda poner su campamento.
Amas la arquitectura que construye en lo ausente
y admites la bandera como una simple broma.

Dice el compás de acero su corto verso elástico.
Desconocidas islas desmienten ya la esfera.
Dice la línea recta su vertical esfuerzo
y los sabios cristales cantan sus geometrías.

*

Pero también la rosa del jardín donde vives.
¡Siempre la rosa, siempre, norte y sur de nosotros!
Tranquila y concentrada como una estatua ciega,
ignorante de esfuerzos soterrados que causa.

Rosa pura que limpia de artificios y croquis
y nos abre las alas tenues de la sonrisa.
(Mariposa clavada que medita su vuelo.)
Rosa del equilibrio sin dolores buscados.
¡Siempre la rosa!

*

¡Oh Salvador Dalí de voz aceitunada!
Digo lo que me dicen tu persona y tus cuadros.
No alabo tu imperfecto pincel adolescente,
pero canto la firme dirección de tus flechas.

Canto tu bello esfuerzo de luces catalanas,
tu amor a lo que tiene explicación posible.
Canto tu corazón astronómico y tierno,
de baraja francesa y sin ninguna herida.

Canto el ansia de estatua que persigues sin tregua
el miedo a la emoción que te aguarda en la calle.
Canto la sirenita de la mar que te canta
montada en bicicleta de corales y conchas.

Pero ante todo canto un común pensamiento
que nos une en las horas oscuras y doradas.
No es el Arte la luz que nos ciega los ojos.
Es primero el amor, la amistad o la esgrima.

Es primero que el cuadro que paciente dibujas
el seno de Teresa, la de cutis insomne,
el apretado bucle de Matilde la ingrata,
nuestra amistad pintada como un juego de oca.

Huellas dactilográficas de sangre sobre el oro
rayen el corazón de Cataluña eterna.
Estrellas como puños sin halcón te relumbren,
mientras que tu pintura y tu vida florecen.

No mires la clepsidra con alas membranosas,
ni la dura guadaña de las alegorías.
Viste y desnuda siempre tu pincel en el aire,
frente a la mar poblada con barcos y marinos.

Federico García Lorca

Miguel Rio Branco
2000

Primeiro Poema do Outono

Mais uma vez é preciso
reaprender o outono -
todos nós regressamos ao teu
inesgotável rosto
Emergem do asfalto aquelas
inacreditáveis crianças
e tudo incorrigivelmente principia
Já na rua se não cruzam
olhos como armas
Recebe-nos de novo o coração

E sabe deus a minha humana mão

Ruy Belo


Sunday, September 14, 2008

Actor da semana



Janne Hyytiäinen
in
Laitakaupungin Valot (dir. Aki Kaurismaki, 2006)


Friday, September 12, 2008

Regresso às aulas...

My pic @ Praia de Moledo

Thursday, September 11, 2008

9/11



Steve McCurry
New York City. 2001
Wrecked remains of the World Trade Center's Twin Towers



In my beginning is my end. In succession
Houses rise and fall, crumble, are extended,
Are removed, destroyed, restored, or in their place
Is an open field, or a factory, or a by-pass.
Old stone to new building, old timber to new fires,
Old fires to ashes, and ashes to the earth
Which is already flesh, fur and faeces,
Bone of man and beast, cornstalk and leaf.
Houses live and die: there is a time for building
And a time for living and for generation
And a time for the wind to break the loosened pane
And to shake the wainscot where the field-mouse trots
And to shake the tattered arras woven with a silent motto.

In my beginning is my end. Now the light falls
Across the open field, leaving the deep lane
Shuttered with branches, dark in the afternoon,
Where you lean against a bank while a van passes,
And the deep lane insists on the direction
Into the village, in the electric heat
Hypnotised. In a warm haze the sultry light
Is absorbed, not refracted, by grey stone.
The dahlias sleep in the empty silence.
Wait for the early owl.

In that open field
If you do not come too close, if you do not come too close,
On a summer midnight, you can hear the music
Of the weak pipe and the little drum
And see them dancing around the bonfire
The association of man and woman
In daunsinge, signifying matrimonie—
A dignified and commodiois sacrament.
Two and two, necessarye coniunction,
Holding eche other by the hand or the arm
Whiche betokeneth concorde. Round and round the fire
Leaping through the flames, or joined in circles,
Rustically solemn or in rustic laughter
Lifting heavy feet in clumsy shoes,
Earth feet, loam feet, lifted in country mirth
Mirth of those long since under earth
Nourishing the corn. Keeping time,
Keeping the rhythm in their dancing
As in their living in the living seasons
The time of the seasons and the constellations
The time of milking and the time of harvest
The time of the coupling of man and woman
And that of beasts. Feet rising and falling.
Eating and drinking. Dung and death.

Dawn points, and another day
Prepares for heat and silence. Out at sea the dawn wind
Wrinkles and slides. I am here
Or there, or elsewhere. In my beginning.

T. S. Eliot
«East Coker/I», Four Quartets

Tuesday, September 9, 2008

Eu Fui...

Fui. Confesso. Gostei. Juro. Talvez vá outra vez. Quase de certeza. E a Meryl? Imperdível. Às vezes acontecem coisas destas. Porque nunca o mau gosto foi mesmo tão bom.

Monday, September 8, 2008

Stevie Wonderful

Listening to...



India Arie
«Wonderful (Stevie Wonder Dedication)»
Acoustic Soul
, 2001 (reed. esp. 2007)

Wednesday, September 3, 2008

VV: Mulheres que são como lugares mal situados

Claude Debussy - Clair de lune
Found at skreemr.com

Aprendi o Debussy.
Aprendi o Baudelaire da Invitation au Voyage.
Aprendi o Pessanha.
Que há conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos.
Aprendi o Nobre e o Eugénio de Castro.
Aprendi o Ritmo.
Aprendi a Voz.
O Verso também.
Aprendi a Paixão do Almeida Faria.
Um cisne do Albano Martins.
Fomos ao teatro.
Apresentou-me o Vergílio Ferreira.
Vertigem aos 18 anos.
Aprendi que a Poesia está na ponta dos dedos de quem folheia os livros.

In memoriam Vera Vouga, um Verso que Voou


Há pessoas que amam
com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
e quando as perdemos estão sempre
ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
a lua encontra o pão caiado que comemos
enquanto o rido das promessas destila
na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
e pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
que não precisa de voar.

Rui Costa

Sobre este dia precipitem as manhãs
E multipliquem os pássaros que cantam
E completo o Outono Venha
Folhas e folhas aspergindo a última respiração das coisas sobre a minha
Respiração
E todos os meus anos juntos se festejem de uma só vez e eu morra
Agora
E sobre este dia todos os dias
Desçam
Como inúmeras águas sobre uma gota de sangue.


Daniel Faria