Wednesday, July 2, 2008

Há coisas fantásticas, não há?






Pierre Bonnard
(1867-1947)

Monday, June 30, 2008

O melro e o mocho

Prefiro Charlot a Chopin, porque aquele é melro e este é mocho.

Diogo de Macedo, 1927

A Fuga


ter na cabeça pincéis em vez de cabelos

Mário Eloy (1900-1951)

Friday, June 27, 2008

Super Pop Limão Preview II


Sebastien Tellier - Divine
Found at skreemr.com

Wednesday, June 25, 2008

Fora de Sena

Os anos passam; mas, dessa passagem,
a permanente essência em nós se cumpre,
que para testemunho só nascemos.

Mas de que falas tu? De ti? Do mundo?
Ou do intervalo em que te aceitas outro,
precisamente quando mais te julgam tu?

Jorge de Sena, Peregrinatio ad Loca Infecta

A MEIO DO CAMINHO

Fico entre o céu e a terra.
Choro só para dentro.
Sou como a árvore nua
que ao alto os ramos indica:
ergue as asas, mas não voa,
tem raízes, mas não desce.

Alberto de Lacerda

PhiloSophia

As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?

Sophia de Melo Breyner Andresen, Dia do Mar

Gosto de ouvir o português do Brasil
Onde as palavras recuperam sua substância total
Concretas como frutos nítidas como pássaros


Sophia de Melo Breyner Andresen, Geografia

Venus was her name...

THE PICTURE

The eyes of this dead lady speak to me,
For here was love, was not to be drowned out.
And here desire, not to be kissed away.
The eyes of this dead lady speak to me.

Ezra Pound, Ripostes, 1912

Super Pop Limão Preview

Quand dire, c'est faire no Teatro São Luiz

How to Do Things With Words é um conjunto de conferências proferidas pelo inglês John Austin em Harvard e depois reunidas em volume (1951). Austin foi um filósofo da linguagem, próximo em alguns aspectos do pensamento de Wittgenstein, cujo trabalho demonstrou que muitos problemas filosóficos são fundamentalmente problemas de linguagem e que a linguagem deve ser compreendida no seu uso quotidiano. Para Austin, as palavras não são meramente declarativas; se algumas dizem coisas, outras são performativas, ou seja, fazem coisas. Tudo depende de códigos, contextos, circunstâncias.

Deus disse: faça-se luz. E a luz fez-se.

Como Fazer Coisas com as Palavras consiste numa selecção de excertos significativos dos textos de Austin, respeitados no seu sentido analítico mas adaptados para efeito de legibilidade dramatúrgica. O conceito do espectáculo consiste na aproximação entre a conferência e a comédia verbal.

Ricardo Araújo Pereira interpreta o Conferencista. O Conferencista está sozinho em palco durante aproximadamente 70 minutos, apenas com um palanque e alguns objectos úteis, coadjuvado nos seus exemplos por dois figurantes. Como Fazer Coisas com Palavras é uma aula de filosofia dada através de recursos cómicos”.

Texto J. L. Austin
Dramaturgia - Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia
Direcção de Actores - Dinarte Branco
Cenografia e figurinos - António Jorge Gonçalves
Música original - Armando Teixeira
Desenho de Luz - Thomas Walgrave
Interpretação - Ricardo Araújo Pereira
Co-produção - SLTM ~ Produções Fictícias

De 27 de Junho a 5 de Julho - Terça a sábado, às 22h00
Sessão com interpretação em língua gestual portuguesa - 28 de Junho, sábado, às 22h00

SALA PRINCIPAL - Tel. 213 257 650
M/16

Site - Teatro São Luiz

Friday, June 20, 2008

Palavras aladas

Este sono tão doce de me alongar no chão
para ouvir bater as asas das palavras nas raízes!

José Gomes Ferreira

Julio, Vítor

Julio, 1938


É de nós que nasce agora
a madrugada.

(Nunca teremos tudo
e já não precisamos
de mais nada)

Vítor Matos e Sá, Companhia Violenta

Thursday, June 19, 2008

Chico, 64

Elogio dos Títulos

O Grito Claro

Sobre o Rosto da Terra

Respirar a Sombra

Boca Incompleta

O Incêndio dos Aspectos

O Incerto Exacto

No Calcanhar do Vento

António Ramos Rosa

Wednesday, June 18, 2008

L'Anniversaire

Marc Chagall, L'Anniversaire


La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu
C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.

Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,

Parfums éclos d'une couvée d'aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l'innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards.

Paul Éluard

31 Stereosound goes 44

I'm sure you will agree
It couldn't fit more perfectly
Than to have a world party
on the day you came to be...


Friday, June 13, 2008

The Truly Great

I think continually of those who were truly great.
Who, from the womb, remembered the soul's history
Through corridors of light where the hours are suns
Endless and singing. Whose lovely ambition
Was that their lips, still touched with fire,
Should tell of the Spirit clothed from head to foot in song.
And who hoarded from the Spring branches
The desires falling across their bodies like blossoms.

What is precious is never to forget
The essential delight of the blood drawn from ageless springs
Breaking through rocks in worlds before our earth.
Never to deny its pleasure in the morning simple light
Nor its grave evening demand for love.
Never to allow gradually the traffic to smother
With noise and fog the flowering of the spirit.

Near the snow, near the sun, in the highest fields
See how these names are fŠted by the waving grass
And by the streamers of white cloud
And whispers of wind in the listening sky.
The names of those who in their lives fought for life
Who wore at their hearts the fire's center.
Born of the sun they traveled a short while towards the sun,
And left the vivid air signed with their honor.

Stephen Spender
remembering N.M.

Sunday, June 8, 2008

we must be kind with each other while we still have time

Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

Dylan Thomas
Para Nuno Morais (31.12.1973-08.06.2008)


Thursday, June 5, 2008

Night Time Stories Tonight @ Trintaeum

Playing #

Also playing #


Wednesday, June 4, 2008

A minha Musa antes de ser
a minha Musa avisou-me
cantaste sem saber
que cantar custa uma língua
agora vou-te cortar a língua
para aprenderes a cantar
a minha Musa é cruel
mas eu não conheço outra.

Adília Lopes

Wednesday, May 28, 2008

Tuesday, May 27, 2008

As palavras não fazem o homem compreender,
é preciso fazer-se homem para entender as palavras.


Herberto Helder

Ed Mundo

E a pobre realidade
era uma cinza…: já nada me recordava
se, de entre ela, uma faúlha
não me queimasse os sentidos.


Edmundo de Bettencourt (1899-1973)

Wednesday, May 21, 2008

My Blueberry Nights is Cat Power




Cat Power - The Greatest


Found at skreemr.com

Por que gosto do Surrealismo? Porque sim.


















Cruzeiro
Seixas

Alma até Almada

Almada Negreiros, Namoro

Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.

Tonight my baby wears a Pollar

no espaço curvo nasce um crisantempo
Haroldo de Campos


KELLEY POLAR - CHRYSANTHEMUM

What's in a title? That which we call a garden
By any other title would sound as sweet:

Love Songs of the Hanging Gardens
, 2005
I Need You To Hold On While The Sky Is Falling
, 2008

Tuesday, May 20, 2008

A poesia, como toda a arte verdadeira,
é realista mesmo sem querer.

Óscar Lopes

Wednesday, May 14, 2008

Let me introduce you to...

Baby Charles
Baby Charles - I Bet You Look Good On The Dancefloor (Arctic Monkeys c
Found at skreemr.com


www.babycharles.co.uk
www.myspace.com/babycharlesband

Anamorfose de Arcimboldo


O poeta entra na frutaria pelo verso dentro,
dispõe diversas formas de fruto, entre
o círculo e o eclipse, a curva e a maçã.
Não enumera o poema todas as espécies
por instinto de preservação estética. O certo
é que o poeta vê que se ilumina um rosto
e o peito nu, brinco, anel, hermafrodita
imagem que se excita só. Muda na peça a postura,
e outro corpo noutras formas e funções
ardentemente se revela ardente em si.
Como aqui se vê.

Sai da frutaria, suca o contorno ao verso
e disfruta.

Luís Adriano Carlos
Livro de Receitas

O Problema do Gosto



















Não gostei.

Tuesday, May 13, 2008

eu gosto intensamente do amarelo,

talvez porque só ele, exacto, corresponde

a um pedaço de sol poisado no cabelo

Saúl Dias

Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas

Odilon Redon
Ophelia, 1910

Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que riem sem porquê
– deixa-a lá que se exprima, a Poesia.

Fica sentado aí aonde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços:
deixa-a viver em si;
não tentes segurá-la nos teus braços,
não pretendas vesti-la com palavras...

Se a queres ter,
se a queres sempre ver pairando à flor das coisas, fica aí
no teu cantinho, e nem respires, Poeta, e não te bulas,
pra que ela não dê por ti.

Não a faças fugir, toda assustada
com a tua presença...
Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas,
que ela não sabe que a viste,
nem sabe que está nua,
nem sequer sabe que existe ...


À flor da vaga, o seu cabelo verde

John Everett Millais
Ophelia, 1852

- Quem esqueceu no quarto do bordel
a «Ofélia» de Millais,
adormecida-morta no lago verde-azul?

Vestida de noivar,
tem os cabelos soltos
e rosas sobre o peito...

As mãos poisam de leve,
como plantas de água...

Sereno,
o rosto oblongo
das filhas de Albion...

E toda beijada da folhagem...

- Quem esqueceu no quarto do bordel
a «Ofélia» de Millais?

Saúl Dias

Wednesday, May 7, 2008

Bridge Over Troubled Water

Night Time Stories Preview

THURSDAY, 11 P.M., @ TRINTAEUM


Monday, May 5, 2008

Julius Pincas

Jules Pascin (1885-1930)
Girl with a Doll

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

A música do jazz
vibrava no café.

À noite,
o velho «High-Life»
era o tempo magnífico
onde Chaplin,
como o Deus da Sistina,
erguia o braço
condenando e perdoando...
(Desengonçado
o piano
acompanhava
com notas de Beethoven
«O Peregrino», «A quimera»...)

E numa tarde
em Paris
ajoelhei, em plena rua,
diante dum quadro de Pascin...

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

Saúl Dias,
Gérmen, 1960

Wednesday, April 30, 2008

May

April is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.

T. S. Eliot, Waste Land, 1922

The Mood = First Good Reason to Buy Jim

Light Soul of Almo ou O Direito à Lamechice

Wednesday, April 23, 2008

Dia Mundial do Meu Livro


Estará uma noite quente, caminharemos de mãos dadas. O anjo não virá, que teria lá que fazer? Vamos sós. Não terei medo da tua presença com toda a sua força de me fazer ajoelhar. Olharei o teu corpo na sua transparência incorruptível. Sofrerei em mim a descarga do universo e não gritarei o teu nome. Porque estará em mim e eu hei-de sabê-lo. A areia brilhará de uma luz pálida, pisá-la-emos devagar a um impulso fortíssimo e lento. Estaremos nus desde o início, sem vergonha anterior. Nudez primitiva, não a saberemos. Porque será uma nudez para antes de os deuses nascerem. Então mergulharemos nas águas do rio e deitar-nos-emos na areia. E olharemos o céu limpo e sem estrelas. E acharemos perfeitamente natural, porque a iluminação estará em nós. Erguer-nos-emos por fim e eu baixar-me-ei ao rio e trarei água na concha das mãos. E derramá-la-ei imensamente e devagar sobre a tua cabeça. E direi para toda a história futura, na eternidade de nós.

– Eu te baptizo em nome da Terra, dos astros e da perfeição.

E tu dirás está bem.

Tuesday, April 22, 2008

Imagist Mood II

IN A STATION OF THE METRO

The apparition of these faces in the crowd;
Petals, on a wet, black bough.

Ezra Pound


John Vink, Paris. 11th arrondissement. 15/10/98.
Metro station, Place de la Nation.

Wednesday, April 16, 2008

Imagist Mood

Prelude

How could I love you more?
I would give up
Even that beauty I have loved too well
That I might love you better.
Alas, how poor the gifts that lovers give -
I can but give you of my flesh and strength,
I can but give you these few passing days
And passionate words that, since our speech began,
All lovers whisper in all ladies' ears.

I try to think of some one lovely gift
No lover yet in all the world has found;
I think: If the cold sombre gods
Were hot with love as I am
Could they not endow you with a star
And fix bright youth forever in your limbs?
Could they not give you all things that I lack?

You should have loved a god; I am but dust.
Yet no god loves as loves this poor frail dust.

Richard Aldington

Eloge de la Criativité

SIARC PORTO '08
SALÃO INTERNACIONAL DE ARTES CRIATIVAS
18 a 20 Abril 2008
Mercado Ferreira Borges

18 Abril 2008, 16h - 24h

soundtrack @ 21:59
GROVESNOR - Drive Your Car
Found at skreemr.com


19 Abril 2008, 11h - 24h
20 Abril 2008, 11h - 20h
www.artescriativas.com
artescriativas.wordpress.com


Late Easter


Salamanca
Plaza Mayor
my pic @ www.flickr.com/photos/jofrias

Thursday, April 3, 2008

Night Time Stories


Early Tonight @ Trintaeum

Wednesday, April 2, 2008

Trompe l'oeil



Jean-Marie Faverjon
Autoportrait en trompe l'oeil
Musée d'Orsay

Visconti, still

pôr os olhos na beleza é pôr os olhos na morte

Luchino Visconti


MORTE EM VENEZA

De muitas coisas se pode morrer
em Veneza
De velhice de susto
de peste

ou de beleza


Jorge de Sousa Braga

Visconti amigo,
tanto eu como tu nascemos tarde.
Ambos amamos os palácios,
ambos amamos as ruínas
que o tempo poupou, e as outras
mais ruínas ainda
por não querermos poupá-las.
Ruínas. Outono. Nostalgia.
Um agasalho, um ninho
da futura alegria.

João José Cochofel




Tuesday, April 1, 2008

Wordsoulscoping

Quem não vê bem uma palavra
não pode ver bem uma alma

Fernando Pessoa