





lá onde a pupila se parte
La poésie se fait dans un lit comme l’amour
Ses draps défaits sont l’aurore des choses
La poésie se fait dans les bois
Elle a l’espace qu’il lui faut
Pas celui-ci mais l’autre que conditionnent
L’oeil du milan
La rosée sur une prêle
Le souvenir d’une bouteille de Traminer embuée sur un
plateau
d’argent
Une haute verge de tourmaline sur la mer
Et la route de l’aventure mentale
Qui monte à pic
Une halte elle s’embroussaille aussitôt
Cela ne se crie pas sur les toits
Il est inconvenant de laisser la porte ouverte
Ou d’appeler des témoins
Les bancs de poisson les haies de mésanges
Les rails à l’entrée d’une grande gare
Les reflets des deux rives
Les sillons dans le pain
Les bulles du ruisseau
Les jours du calendrier
Le millepertuis
L’acte d’amour et l’acte de poésie
Sont incompatibles
Avec la lecture du journal à haute voix
Le sens du rayon de soleil
La lueur bleue qui relie les coups de hache du bûcheron
Le fil du cerf-volant en forme de coeur ou de nasse
Le battement en mesure de la queue des castors
La diligence de l’éclair
Le jet des dragées du haut des vieilles marches
L’avalanche
La chambre aux prestiges
Non messieurs ce n’est pas la huitième Chambre
Ni les vapeurs de la chambrée un dimanche soir
Les figures de danse exécutées en transparence au-dessus
des mares
La délimitation contre un mur d’un corps de femme au
lancer de
poignards
Les volutes claires de la fumée
Les boucles de tes cheveux
La courbe de l’éponge des Philippines
Les lacets du serpent corail
L’entrée du lierre dans les ruines
Elle a tout le temps devant elle
L’étreinte poétique comme l’étreinte de chair
Tant qu’elle dure
Défend toute échappée sur la misère du monde.
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6:15 AM
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4:06 AM
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9:43 AM
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Se não é um dos muitos fuzilados das Espanhas,
Renascido de uma vala comum,
Será um Ulisses que não achou regresso,
Ou não quis achá-lo, preferindo
O cálice capitoso da viagem.
Fala muitos demóticos, mas na torrente
Apenas se percebe um fragmento
Decerto legado pelos deuses – «tontería».
Ei-lo agora à porta
De supermercados incompreensíveis:
Sorri e bebe à saúde de toda a gente,
Uma cortesia que o torna suspeito, indesejável.
De Inverno, raramente dorme
Para prosseguir a sua viagem;
Não quer sonhos, que acabam sempre
Nos baixios de qualquer manhã,
Nem se quer perder do mar
Que o embala durante todo o Verão
Numa ressaca de constelações.
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9:48 AM
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9:33 AM
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Auto-retrato
O'Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada...)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O'Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sobre a ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse...
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9:27 AM
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6:46 AM
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6:33 AM
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5:53 AM
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Um real que seja fabuloso
Pedro Mexia
Ípsilon, 3 de Julho de 2009
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10:56 AM
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do blog BabeldoJorge teve a simpatia de distinguir a Dobra dos Olhos com o Prémio Lemniscata. O prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores. Tem ainda a beleza de se inspirar na designação da curva geométrica com a forma semelhante à de um 8, graficamente muito próxima do 8 deitado que simboliza o infinito. Na sua origem etimológica, «lemniscato» significa «ornado de fitas», e refere-se à fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores.
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Joana Blu
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9:26 AM
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Uns dizem que os meus versos são tristes,
outros que são abstractos.
Mas eu não tenho culpa que a carne da inteligência
seja triste, e inteligente.
Eu preferia que os meus versos fossem
alegres e estúpidos.
Mas, se fossem, não haveria os meus versos.
Os meus versos disseram sempre direito
aquilo que saiu errado quando o quisa fazer
como se a vida fosse a poesia.
Mas eu continuo a crer na poesia.
A vida que tenha paciência.
Adolfo Casais Monteiro
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6:51 AM
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Café.
Ruídos abafados.
É como se a vida fosse calafetada.
Quase silencio.
Os ruídos da rua chegam por este corredor fora
Como enfraquecidos da viagem.
Aqui ao fundo a sombra é maior,
Hoje que chove lá fora,
Miudamente.
Tepidez.
Folheio livros, distraído,
Por aqui ser inútil fingir qualquer acção.
Estar aqui sozinho é viver intensamente,
Estar aqui silencioso e recolhido
Dá não sei que ciência de todos os segredos do fluir da vida.
O café: acumulador de todos os destinos aqui suspensos um momento.
Nesta atmosfera densa permanece a síntese de todos os caminhos
Aqui onde o silencio existe a esta hora da manhã,
Existe apesar dos ruídos,
Segunda atmosfera suspensa e doce,
Alheia ao que não seja a sua compenetrada reflexão
Sobre o surdo ressoar das vidas que por aqui se fixaram um momento.
Planalto para onde todos trouxeram a descansar a agitação das suas vidas
Que puseram ao lado a acalmar sobre os longos divãs de couro,
E onde vieram beber na espessa bebida negra a paz momentânea ou mais excitação.
Paz.
Lusco-fusco.
Alheamento.
Aqui até a nossa vida nos é um espectáculo
Exterior como um filme ao fundo da sala em trevas.
Café,
Meu amigo!
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Joana Blu
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4:06 AM
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7:31 AM
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DUALISMO, UNIDADE
Um saleiro.
Um pimenteiro.
Dentro sal num.
Noutro pimenta.
Uma só forma
para duas cores.
A mesma ideia.
Qual escolhes tu:
sal e pimenta
ou a tua alma?
Nem forma ou cor:
tempero.
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Joana Blu
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9:23 AM
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Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
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12:33 PM
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GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.
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3:03 AM
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6:18 AM
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Grossistas de palavras
A crer no que disseram os jornais, Carolina Salgado declarou ao tribunal ser escritora de profissão.
E, tanto quanto sei, devia estar sob juramento.
E não lhe tremeu a voz.
E não corou.
Suponhamos agora que ela chegava e dizia, por exemplo, que era advogada. Ou juíza. O que é que lhe acontecia?
Porque para todas as profissões se requerem estudos, habilitações, trabalho esforçado, provas dadas. Para todas - menos para a de escritor. Que é, cada vez mais, uma profissão muito mal frequentada…
Ainda não há muito tempo um jornalista da nossa praça, depois de ter publicado um primeiro romance, também declarava que qualquer um podia ser escritor.
Mal comparado, isto é assim como se uma pessoa que fosse muito habilidosa a coser bainhas se sentisse com todo o direito de coser a barriga de um desgraçado na sala de operações.
Claro que hoje qualquer um pode publicar um livro ou paga do seu bolso, ou encontra uma editora que vá na conversa. Até porque os motivos que levam à escrita cada vez são mais estranhos, e o sucesso cada vez mais rápido, sob os holofotes das câmaras de televisão e das capas das revistas.
Emagreci 30 quilos? Escrevo um livro.
Mas logo a seguir engordei 20 quilos, e o meu homem bate-me todos os dias? Escrevo um livro.
Tramei o namorado que por acaso era do jet-set? Escrevo um livro.
Apareci duas vezes numa telenovela e dei três autógrafos? Escrevo um livro.
Desapareceu-me a bagagem no voo de Cancun? Escrevo um livro.
Descobri que o meu namorado é um crápula e me engana com a sobrinha da porteira que tem menos 20 anos do que ele? Escrevo um livro.
Digamos que é assim uma réplica com vagas pretensões literárias da frase que repetia aquela boneca à entrada da tenda de uma astróloga na velha Feira Popular "um escudo, um escudo, que a Dora diz tudo!"…
É claro que os livros aguentam algumas semanas nos escaparates - enquanto o público se lembra das caras de quem os escreveu, ou chora pelas suas desgraças. Depois esquece tudo, até porque, entretanto, já há outros desgraçados a aparecer, e é preciso sofrer por outras tragédias -e os livros somem. Será que hoje ainda alguém se lembra do título do livro que escreveu aquele Mário, concorrente de um dos "Big Brother", que depois até esteve preso (não, não foi por causa de ter assassinado o português…)?
Publicar um livro, por si só, não faz de ninguém um escritor.
Aqui no meu bairro houve em tempos uma agência turística. Fraca, sem rasgo, aguentou muito pouco tempo. Mas o dono, honestamente, intitulava-se "grossista de viagens".
Aí está "grossista de palavras" talvez não fosse má designação para esses que de vez em quando publicam umas coisas que, à primeira vista - e porque somos um país de míopes -, até parecem livros.
Mas ainda o pior de tudo é pensar que, para haver livros tem de haver papel; e para haver papel tem de haver árvores.
É então que recordo, com saudade, o meu amigo José Palla e Carmo quando dizia "Meu Deus, a quantidade de árvores que é preciso deitar abaixo para se fazer papel de parvo…"
Alice Vieira
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10:04 AM
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9:57 AM
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João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
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Isaac Hayes - Moonlight Lovin' (Todd Terje edit)
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Procura da poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
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Children waitin' for the day they feel good
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Em homenagem a João Bénard da Costa, a Medeia Filmes exibe, no Teatro do Campo Alegre, de 28 de Maio a 6 de Junho, 10 dos «filmes da sua vida», dos catálogos da Atalanta Filmes e Costa do Castelo.
Sobre a sua escolha (Os Filmes da Minha Vida, 1º e 2º volumes, Ed. Assírio & Alvim), JBC escrevia:
«Não vou ser – nunca serei – objectivo. Não vou servir “pronto-a-vestir”, como os que invariavelmente encabeçam as invariáveis listas dos “melhores filmes de todos os tempos”. Melhores, só os melhores para mim. (...)
«Ao lembrar os 50 melhores filmes da nossa vida resisti como pude e como posso. Dei testemunho do que vai durar contra o que parece que está para durar, para citar uma das minhas frases favoritas, de um certo George Bernanos.»
quinta, 28 Maio, OPINIÃO PÚBLICA / A WOMAN OF PARIS, Charlie Chaplin, 1923
sexta, 29 Maio, AURORA / SUNRISE, Friedrich W. Murnau, 1927
sábado, 30 Maio, FATALIDADE / DISHONORED, Joseph von Sterberg, 1931
domingo, 31 Maio, O EXTRAVAGANTE SR RUGGLES / RUGLES OF THE RED GAP, Leo McCarey, 1935
segunda, 1 Junho, VONTADE INDÓMITA / THE FOUNTAINHEAD, King Vidor,1949
terça, 2 Junho, SENTIMENTO / SENSO, Luchino Visconti, 1954
quarta, 3 Junho, DEUS SABE QUANTO AMEI / SOME CAME RUNNING, Vincent Minelli,
1958
quinta, 4 Junho, VERTIGO / A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES, Alfred Hitchcock, 1958
sexta, 5 Junho*, A BELA IMPERTINENTE / LA BELLE NOISEUSE, Jacques Rivette, 1991
sábado, 6 Junho, O SOL DO MARMELEIRO / EL SOL DEL MEMBRILLO, Victor Erice, 1992
Sessões às 18h30_22h, excepto A BELA IMPERTINENTE, às 21h.
Bilhetes a 3,50 euros.
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Elle est debout sur mes paupières
Et ses cheveux sont dans les miens,
Elle a la forme de mes mains,
Elle a la couleur de mes yeux,
Elle s'engloutit dans mon ombre
Comme une pierre sur le ciel.
Elle a toujours les yeux ouverts
Et ne me laisse pas dormir.
Ses rêves en pleine lumière
Font s'évaporer les soleils,
Me font rire, pleurer et rire,
Parler sans avoir rien à dire.
Paul Eluard, Mourir de ne pas Mourir
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9:04 AM
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I wish you were here, dear,
I wish you were here.
I wish you sat on the sofa
and I sat near.
The handkerchief could be yours,
the tear could be mine, chin-bound.
Though it could be, of course,
the other way around.
I wish you were here, dear,
I wish you were here.
I wish we were in my car
and you'd shift the gear.
We'd find ourselves elsewhere,
on an unknown shore.
Or else we'd repair
to where we've been before.
I wish you were here, dear,
I wish you were here.
I wish I knew no astronomy
when stars appear,
when the moon skims the water
that sighs and shifts in its slumber.
I wish it were still a quarter
to dial your number.
I wish you were here, dear,
in this hemisphere,
as I sit on the porch
sipping a beer.
It's evening, the sun is setting;
boys shout and gulls are crying.
What's the point of forgetting
if it's followed by dying?
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...so Sad
Home is so sad. It stays as it was left,
Shaped to the comfort of the last to go
As if to win them back. Instead, bereft
Of anyone to please, it withers so,
Having no heart to put aside the theft
And turn again to what it started as,
A joyous shot at how things ought to be,
Long fallen wide. You can see how it was:
Look at the pictures and the cutlery.
The music in the piano stool. That vase.
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Joana Blu
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4:31 AM
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Joana Blu
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5:04 PM
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Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.
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Joana Blu
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1:18 AM
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