A Fotografia tem qualquer coisa de tautológico: nela, um cachimbo é sempre um cachimbo, infalivelmente.

The Son of Man
Crazy Damn World

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Hit and Run
lá onde a pupila se parte
A Fotografia tem qualquer coisa de tautológico: nela, um cachimbo é sempre um cachimbo, infalivelmente.

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Hit and Run
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Joana Blu
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Rilo Kiley, «I Never», More Adventurous
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E como o dia é de aniversários e o da morte de Pessoa é para esquecer e não para lembrar, celebre-se os 70 de Ridley Scott, sem gangster americano e com o Vangelis nas veias, na que será sempre a sua obra-prima. Blessed Blade Runner.
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3:20 PM
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TRÍPTICO / I
«Transforma-se o amador na coisa amada» com seu
feroz sorriso, os dentes,
as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído
e silêncio. Traz o barulho das ondas frias
e das ardentes pedras que tem dentro de si.
E cobre esse ruído rudimentar com o assombrado
silêncio da sua última vida.
O amador transforma-se de instante para instante,
e sente-se o espírito imortal do amor
criando a carne em extremas atmosferas, acima
de todas as coisas mortas.
Transforma-se o amador. Corre pelas formas dentro.
E a coisa amada é uma baía estanque.
É o espaço de um castiçal,
a coluna vertebral e o espírito
das mulheres sentadas.
Transforma-se em noite extintora.
Porque o amador é tudo, e a coisa amada
é uma cortina
onde o vento do amador bate no alto da janela
aberta. O amador entra
por todas as janelas abertas. Ele bate, bate, bate.
O amador é um martelo que esmaga.
Que transforma a coisa amada.
Ele entra pelos ouvidos, e depois a mulher
Que escuta
fica com aquele grito para sempre na cabeça
a arder como o primeiro dia do verão. Ela ouve
e vai-se transformando, enquanto dorme, naquele grito
do amador.
Depois acorda, e vai, e dá-se ao amador,
dá-lhe o grito dele.
E o amador e a coisa amada são um único grito
anterior de amor.
E gritam e batem. Ele bate-lhe com o seu espírito
de amador. E ela é batida, e bate-lhe
com o seu espírito de amada.
Então o mundo transforma-se neste ruído áspero
do amor. Enquanto em cima
o silêncio do amador e da amada alimentam
o imprevisto silêncio do mundo
e do amor.
Herberto Helder
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Joana Blu
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4:40 PM
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7:44 PM
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Com a víbora no músculo viscoso da língua
soltava o pensamento na vermelhidão -
- os dentes mordendo-lhe a boca
como se mordessem a carne macia do coração
pendurado no talho de outra vida.
Desenhava a sua geometria passional
com mãos de dorso largo, tronco
de um vulto em chamas -
cada bolha de fogo envenenada de silêncio,
o alicate para lhe arrancar uma palavra de água:
eu não tive o bastante,
mas tive o suficiente
para me esvair nas tuas unhas em fogo
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Joana Blu
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5:08 PM
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PORTUGAL SACRO-PROFANO
Vila do Conde
O lugar onde o coração se esconde
é onde o vento norte corta luas brancas no azul do mar
e o poeta solitário escolhe igreja pra casar
O lugar onde o coração se esconde
é em dezembro o sol cortado pelo frio
e à noite as luzes a alinhar o rio
O lugar onde o coração se esconde
é onde contra a casa soa o sino
e dia a dia o homem soma o seu destino
O lugar onde o coração se esconde
é sobretudo agosto vento música raparigas em cabelo
feira das sextas-feiras gado pó e povo
é onde se consente que nasça de novo
àquele que foi jovem e foi belo
mas o tempo a pouco e pouco arrefeceu
O lugar onde o coração se esconde
é o novo passado a ida pra o liceu
Mas onde fica e como é que se chama
a terra do crepúsculo de algodão em rama
das muitas procissões dos contra-luz no bar
da surpresa violenta desse sempre renovado mar?
O lugar onde o coração se esconde
e a mulher eterna tem a luz na fronte
fica no norte e é vila do conde
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Joana Blu
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3:56 PM
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Efeito dominó 1: a propósito de Les Uns et Les Autres
Geraldine Chaplin & Michel Legrand, «Un Parfum de Fin du Monde»
Efeito dominó 2: a propósito do Bolero de Ravel
Rufus Wainwright, «Oh What a World»
Efeito dominó 3: a propósito de grandes finais com grandes clássicos
Morte a Venezia, dir. Luchino Visconti, 1971, música de Mahler
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3:18 PM
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Assim se entende que a cena final de Les Uns et Les Autres, de Claude Lelouch, seja tão absolutamente inesquecível. Já não bastava o outro Maurice ter criado uma das composições mais breathtaking da história da música, ainda tinha este Maurice que fazer dela uma das danças mais breathless de todos os tempos. Maurice est mort, survit le corps.
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1:01 PM
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...lá para os lados dos Discos Perdidos esta é a soundtrack do fim-de-semana :).
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Joana Blu
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5:31 PM
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Alegra-me. Mas não para alegrar-me
foi concebida em racionais delírios
de pautas e compassos. Foi-o, sim,
para que eu saiba que criar não basta
se não se for criado assim do nada.
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Joana Blu
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5:46 PM
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E como não há meses perfeitos, este, que é quase quase perfeito, tem o pior problema de todos os meses: é protagonista de uma das tiradas mais desastrosas de toda a história do cinema.
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5:22 PM
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The Magic Numbers
I See You, You See Me
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Claire Daines/Hugh Dancy
Evening, 2007, dir. Lajos Koltai
Your first mistake is like your first kiss: you never forget it.
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11:31 PM
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Il pleut des voix de femmes comme si elles étaient mortes même dans le souvenir.
c’est vous aussi qu’il pleut, merveilleuses rencontres de ma vie. ô gouttelettes!
et ces nuages cabrés se prennent à hennir tout un univers de villes auriculaires
écoute s’il pleut tandis que le regret et le dédain pleurent une ancienne musique
écoute tomber les liens qui te retiennent en haut et en bas
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Joana Blu
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10:53 PM
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