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Friday, November 16, 2007

Sniff

Logo vai ser assim.
Sexta-feira sem mim :(



Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.

Onde Ir
Vanessa da Mata

Thursday, October 11, 2007

Tesourinhos não-deprimentes XVII

Baby Consuelo, a melhor versão. Toma esta canção como um beijo.



Evandro Teixeira

Tuesday, September 18, 2007

Um dos melhores concertos de todos os tempos.
Vinicius, Jobim, Toquinho e Miucha.
Impossível escolher só um momento.

Saturday, September 15, 2007

Lullaby

Esta é dedicada a quem adormece ao som da Ana Carolina e Seu Jorge... Bom embalo ;)

Lullaby

Lay your sleeping head, my love,
Human on my faithless arm;
Time and fevers burn away
Individual beauty from
Thoughtful children, and the grave
Proves the child ephemeral:
But in my arms till break of day
Let the living creature lie,
Mortal, guilty, but to me
The entirely beautiful.

Soul and body have no bounds:
To lovers as they lie upon
Her tolerant enchanted slope
In their ordinary swoon,
Grave the vision Venus sends
Of supernatural sympathy,
Universal love and hope;
While an abstract insight wakes
Among the glaciers and the rocks
The hermit's carnal ecstasy.

Certainty, fidelity
On the stroke of midnight pass
Like vibrations of a bell
And fashionable madmen raise
Their pedantic boring cry:
Every farthing cost,
All the dreaded cards foretell,
Shall be paid, but from this night
Not a whisper, not a thought,
Not a kiss nor look be lost.

Beauty, midnight, vision dies:
Let the winds of dawn that blow
Softly round your dreaming head
Such a day of welcome show
Eye and knocking heart may bless,
Find our mortal world enough;
Noons of dryness find you fed
By the involuntary powers,
Nights of insult let you pass
Watched by every human love.


W.H. Auden

Wednesday, August 1, 2007

Summer of 69

Gosto muito da praia.
Lá acontecem coisas destas.

Monday, July 30, 2007

Original Life Soundtrack III

Quem tem a sorte de crescer numa casa onde se ouve Vinicius e Bethânia como quem bebe um copo de ar só pode começar a apreciar as coisas boas da vida desde muito cedo. Primeiro era o Álibi, com «O meu amor» da Ópera do Malandro, «Explode coração» e os seus inesquecíveis versos — «Eu quero mais é me abrir / E que essa vida entre assim / Como se fosse o sol / Desvirginando a madrugada / Quero sentir a dor dessa manhã» —, «Sonho meu» e o triste «Cálice», que demoraria algum tempo a compreender. Mas logo depois veio Nossos Momentos, gravação ao vivo com o Cântico Negro do Régio nos lábios da Bethânia, a abrir com este «O que é, o que é». E nunca mais a vida foi igual:

Viver
E não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor
E será
Mas isso não me impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!


Quando se carregar no play, nem sequer se deve ler este post. Pode perturbar o arrepio.



P.S. - Como na música brasileira tudo fica em família, a senhora mais redondinha é a Nana Caymmi, filha do compositor baiano Dorival Caymmi - a quem devemos, entre tantas outras coisas, a inesquecida «Modinha para Gabriela» -, e a senhora mais rectangularzinha é a Miúcha, irmã do Chico Buarque e ex-mulher do João Gilberto, que graças à ordem natural das coisas vem a ser mãe da Bebel Gilberto.

Thursday, July 26, 2007

Saudade de Caetano ou Do Romantismo

«Me larga, não enche» é sem dúvida um dos momentos mais românticos de toda a música brasileira. Melhor melhor só o happy ending: «Vagaba! Vampira! Eu vou viver sem você». E viveram felizes para sempre.

Prenda Minha, 1998

Da minha língua vejo o Rio

LIVRO DO DESASSOSSEGO, fr. 259

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie — nem sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Não tenho sentimento nenhum, político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa.


Bernardo Soares

LÍNGUA
Velô, 1984


Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
«Minha pátria é minha língua»
Fala mangueira!
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo choo de
Carmen Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E — xeque-mate — explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da
TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisas como Rã e Imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon Chevalier
Glauco Matoso e Arrigo Barnabé e maria da
Fé e Arrigo barnabé
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
Incrível
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollyood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o
Recôncavo
Meu medo!
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta e prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ela está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô você e tu lhe amo
Qué queu te faço, nego?
Bote ligeiro
Nós canto-falamos como que inveja negros
Que sofrem horrores no gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixe que digam, que pensem e que falem


Caetano Veloso

Thursday, June 28, 2007

Fresquinho, fresquinho, fresquinho

Não se viram, não se encontraram, não se cruzaram, não tocaram juntos, não cantaram juntos. From Rio to Los Angeles, Vanessa da Mata e Ben Harper. «Boa sorte / Good luck», acabadinho de sair do forno. Porque hoje é sexta ;)

Tuesday, June 26, 2007

Se ele canta, eu canto...

Juro que nunca pensei ter o Roberto Carlos a cantar neste blog. Mas esta vale a pena. Ouvi-a num táxi no Rio e achei que me tinha enganado. Mas não: eis o rei, com o MC Leozinho, e o nosso funk preferido transformado em canção delicodoce :).

Friday, June 22, 2007

Não me canso de olhar, não me canso de ouvir

Depois de ler um Post no Discos Perdidos (http://osdiscosperdidos.blogspot.com/2007/06/cacetada-moral.html) fiquei com uma saudade incontrolável desta dupla. 40º à sombra com Damien Rice ao fundo.

Tuesday, May 22, 2007

As Rosas não Falam

Tribute to Cartola with Happy Birthday 2U ZZ :)

Sunday, January 21, 2007

Weekend Highlights





I. Friday night warm-up with cachaça mineira aka Remember Mangue Seco


II. Atoladinha

IMPERDÍVEL.

Great balls of fire on the dancefloor.




III. Sunday evening cooldown feat. Woody Allen's Scoop, remembering Santo Agostinho
Punctum* do filme: a esplêndida arte da memória de Splendini, digna das mais apuradas mnemotécnicas da Antiguidade. Splendini meets Cícero com os seus 12 anões às piruetas, os 16 cavalos azuis, os 21 aviões e os cinzeiros dançantes. Eis a verdadeira fusão da memoria rerum e da memoria verborum. Santo Agostinho dixit: «Chego aos campos e vastos palácios da me­mória onde estão tesoiros de inumeráveis imagens trazidas por percepções de toda a es­pé­cie. Quando lá entro mando comparecer diante de mim todas as imagens que quero. Umas apresen­tam‑se imedia­ta­mente, outras fazem‑me esperar por mais tempo, até serem ex­traí­das, por assim dizer, de certos recep­táculos ainda mais recônditos. Outras irrompem aos turbilhões e, enquanto se pede e se pro­cura uma outra, saltam para o meio como que a dize­­rem: ‘Não seremos nós?’ Eu então, com a mão do espírito afasto‑as do rosto da memó­­ria, até que se desanuvie o que quero e do seu escon­de­ri­jo a imagem apareça à vista. Outras imagens ocorrem‑me com facilidade e em série or­denada, à me­dida que as chamo. En­tão as precedentes cedem o lugar às seguintes e, ao cedê‑lo, es­condem‑se pa­ra de novo avan­­çarem, quando eu quiser» (Confissões).

* punctum selon Barthes, La Chambre Claire: Não sou eu que vou procurá-lo, é ele que salta da cena, como uma seta, e vem trespassar-me. Existe uma palavra em latim para designar essa ferida, essa picada, essa marca feita por instrumento aguçado. A este segundo elemento que vem perturbar o studium eu chamaria, portanto, punctum; porque punctum é também picada, pequeno orifício, pequena mancha, pequeno corte - e também lance de dados. Neste espaço habitualmente unário, por vezes um «pormenor» chama-me a atenção. Sinto que a sua presença por si só modifica a minha leitura, que é uma nova foto que contemplo, marcada, aos meus olhos, por um valor superior. Este «pormenor» é o punctum (aquilo que me fere). Última coisa sobre o punctum: quer esteja cercado ou não, é um suplemento; é aquilo que eu acrescento à foto e que, no entanto, já lá está. Será que no cinema eu acrescento à imagem? Penso que não; não tenho tempo: diante do écran, não posso fechar os olhos; se o fizesse, ao voltar a abri-los, não encontraria a mesma imagem; estou, pois, sujeito a uma voracidade contínua. Contudo, o cinema tem um poder que, à primeira vista, a Fotografia não pos­sui: o écran (observou Bazin) não é um quadro, mas um esconderijo; a personagem que sai de lá continua a viver; um «campo cego» dobra incessantemente a visão parcial.

Friday, January 19, 2007

Eles passarão. Eu passarinho.





Dentro do magnífico Samba Passarinho de Péri, comprado em Salvador na loja de cds mais obrigatória das redondezas (Cana Brava, Pelourinho: Rua João de Deus, 22), eis que a minha mãe descobre esta pérola do Mário Quintana, a voar desde Porto Alegre:



POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Elis RIP


Ela entrou pela vida fora, dela saiu pela morte dentro. 25 anos sem Elis.
"Por Toda Minha Vida" marca os 25 anos da morte.
Maria Rita participa, com uma música que foi sucesso na voz da mãe:

Essa Mulher
(Joyce e Ana Terra, 1979)
De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece
De pedir pelas mulheres, pelos filhos, pelo pão
Depois sorri meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo que a faz assim feliz
De tardezinha essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista, isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia entender de ser feliz
De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em quem esbarro a toda hora no espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz que acha tudo natural


E depois dessa mulher, cf. Cotidiano, feat. Chico e Caetano @ http://www.youtube.com/watch?v=E6GdSgHXShc