Monday, November 19, 2007

Les Affinités Electives


Jeanne Moreau & Boris Bassiak, «Le Tourbillon de la Vie»
Jules et Jim, dir. François Truffaut, 1962


Le balancement du rocking chair nous convie aux plaisirs de la chair



Jeanne Moreau & Vanessa Paradis, Le même tourbillon
Cannes, 1995

Quand on s'est connus,
Quand on s'est reconnus,
Pourquoi se perdre de vue,
Se reperdre de vue?

Alors tous deux on est repartis
Dans le tourbillon de la vie
On a continué à tourner
Tous les deux enlacés
Tous les deux enlacés.

Sunday, November 18, 2007

Sliding Doors












My Moon My Man
@ Louie Louie Deluxe


Criação

O verbo nunca esteve no início
dos grandes acontecimentos.
No início estamos nós, sujeitos
sem predicados,
tímidos,
embaraçados,
às voltas com mil pequenos problemas
de delicadezas,
de tentativas e recuos,
neste jogo que se improvisa à sombra
do bem e do mal.

No início estão as reticências,
este-querer-não-querendo,
os meios-tons,
a meia-luz,
os interditos
e as grandes hesitações
que se iluminam
e se apagam de repente.

No início não há memória nem sentença,
apenas um jeito do coração
enunciar que uma flor vai-se abrindo
como um dia de festa, ou de verão.

No início ou no fim (tudo é finício)
a gente se lembra de que está mesmo com Deus
à espera de um grande acontecimento,
mas nunca se dá conta de que é preciso
ir roendo,
roendo,
roendo
um osso duro de roer.

Gilberto Mendonça Teles

Her Choice

VÍTOR ESPALDA
Das Ist Fussball
A la Esquierda
Everything but these paitings @ Galeria João Lagoa

Friday, November 16, 2007

Parabéns, José. Parabéns, valter.

Celebra hoje 85. No que me diz respeito, escreveu isto. Nunca mais o esqueci.



Este ano, o Prémio Literário a que dá nome foi atribuído a
valter hugo mãe.

Eis baltazar.

Chema Madoz






Cirurgia

Do grego χειρουργία: χείρ, χειρός (mão) + εργον (obra, trabalho).
Cirurgia, a obra nas mãos.

Sniff

Logo vai ser assim.
Sexta-feira sem mim :(



Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.

Onde Ir
Vanessa da Mata

Da Baba



Thursday, November 15, 2007

A Porta da Rua

Vou para a tua rua vender
as flores que disseste
Vou para a tua rua olhar
parar de olhar o trânsito dos
teus lábios a passar
Vou para a tua rua não sei
onde é a tua rua vou para a tua
rua cantar muito baixinho
sem vez para a minha voz porque
não sei onde fica a tua rua
onde ficas na tua rua nua
Não vou parar na tua rua porque
não saberei ver a tua rua com os teus
olhos nos meus
pousados não verei nem a tua rua nem
os olhos nos meus olhos rebentados
irei para a tua rua de olhos bem abertos
e vendados



She lingers long on love street

Wednesday, November 14, 2007

After Eighties: No Rescaldo ou Tesourinhos Não-Deprimentes XX

Happy Birthday, Claude


Claude Monnet, Les Coquelicots, 1873

Haverá alguma coisa mais bonita de se dizer do que coquelicots? Talvez papaveri. Ou poppies. Mas sempre papoilas.

Fotogramas da Semana

Assinalando simbolicamente o dia em que passam 33 anos sobre a sua morte...

Vittorio de Sica, Ladri di Biciclette, 1948

Sessão de Abertura do Cineclube Italiano na FLUP
Concepção, organização e programação: David Barros

Tuesday, November 13, 2007

Italian Mood


Never Ending Story

Flesh, fair, unique, and you, warm secret that my kiss
Follows into meaning

From moment to moment as you enrich them so
Inherit me, my cause, as I would cause you now
With mine your sudden joy, two wonders as one vow
Pre-empting all, here, there, for ever, long ago.

I would smile at no other promise than touch, taste, sight,
Were there not, my enough, my exaltation, to bless
As world is offered world, as I hear it tonight

Pleading with ours for us, another tenderness
That neither without either could or would possess,
The Right Required Time, The Real Right Place, O Light.

W.H. Auden, cortadinho

Friday, November 9, 2007

Thursday, November 8, 2007

Final Countdown: Step 2




Punctum: a vozinha do Jimmy Sommerville muito escondidinha no background

Wednesday, November 7, 2007

Uma fiel dedicação à honra de estar vivo

Francisco de Goya
El tres de Mayo de 1808 en Madrid
, 1814

Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando
lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer uma delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu
semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos,
apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum juízo final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena

My Other Prado ou A Caça Infernal

Boccaccio por Botticelli
Nastagio degli Onesti

i cani, presa forte la giovane né fianchi, la fermarono, e il cavaliere sopraggiunto smontò da cavallo

il cavaliere, messo mano ad un coltello, quella aprì nelle reni, e fuori trattone il cuore e ogni altra cosa d'attorno, a'due mastini il gittò, li quali affamatissimi incontanente il mangiarono

Essendo adunque già venuta l'ultima vivanda, e il romore disperato della cacciata giovane da tutti fu cominciato ad udire. Di che maravigliandosi forte ciascuno e domandando che ciò fosse, e niun sappiendol dire, levatisi tutti diritti e riguardando che ciò potesse essere, videro la dolente giovane e 'l cavaliere è cani

Final Countdown: Step 1


Tuesday, November 6, 2007

French Bliss par André Kertész

Des yeux qui font baiser les miens