Monday, November 19, 2007
Les Affinités Electives
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Sunday, November 18, 2007
Sliding Doors
My Moon My Man
@ Louie Louie Deluxe
Criação
O verbo nunca esteve no início
dos grandes acontecimentos.
No início estamos nós, sujeitos
sem predicados,
tímidos,
embaraçados,
às voltas com mil pequenos problemas
de delicadezas,
de tentativas e recuos,
neste jogo que se improvisa à sombra
do bem e do mal.
No início estão as reticências,
este-querer-não-querendo,
os meios-tons,
a meia-luz,
os interditos
e as grandes hesitações
que se iluminam
e se apagam de repente.
No início não há memória nem sentença,
apenas um jeito do coração
enunciar que uma flor vai-se abrindo
como um dia de festa, ou de verão.
No início ou no fim (tudo é finício)
a gente se lembra de que está mesmo com Deus
à espera de um grande acontecimento,
mas nunca se dá conta de que é preciso
ir roendo,
roendo,
roendo
um osso duro de roer.
Gilberto Mendonça Teles
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Joana Blu
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7:21 AM
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Friday, November 16, 2007
Parabéns, José. Parabéns, valter.
Celebra hoje 85. No que me diz respeito, escreveu isto. Nunca mais o esqueci.
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12:43 PM
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Sniff
Logo vai ser assim.
Sexta-feira sem mim :(
Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim
Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.
Onde Ir
Vanessa da Mata
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4:09 AM
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Labels: Brazilian Music, Music
Thursday, November 15, 2007
A Porta da Rua
Vou para a tua rua vender
as flores que disseste
Vou para a tua rua olhar
parar de olhar o trânsito dos
teus lábios a passar
Vou para a tua rua não sei
onde é a tua rua vou para a tua
rua cantar muito baixinho
sem vez para a minha voz porque
não sei onde fica a tua rua
onde ficas na tua rua nua
Não vou parar na tua rua porque
não saberei ver a tua rua com os teus
olhos nos meus
pousados não verei nem a tua rua nem
os olhos nos meus olhos rebentados
irei para a tua rua de olhos bem abertos
e vendados
She lingers long on love street
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Wednesday, November 14, 2007
After Eighties: No Rescaldo ou Tesourinhos Não-Deprimentes XX
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Labels: Music
Happy Birthday, Claude

Claude Monnet, Les Coquelicots, 1873
Haverá alguma coisa mais bonita de se dizer do que coquelicots? Talvez papaveri. Ou poppies. Mas sempre papoilas.
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Labels: Painting
Fotogramas da Semana
Assinalando simbolicamente o dia em que passam 33 anos sobre a sua morte...
Sessão de Abertura do Cineclube Italiano na FLUP
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Labels: Cinema
Tuesday, November 13, 2007
Never Ending Story
Flesh, fair, unique, and you, warm secret that my kiss
Follows into meaning
From moment to moment as you enrich them so
Inherit me, my cause, as I would cause you now
With mine your sudden joy, two wonders as one vow
Pre-empting all, here, there, for ever, long ago.
I would smile at no other promise than touch, taste, sight,
Were there not, my enough, my exaltation, to bless
As world is offered world, as I hear it tonight
Pleading with ours for us, another tenderness
That neither without either could or would possess,
The Right Required Time, The Real Right Place, O Light.
W.H. Auden, cortadinho
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Labels: Poetry
Friday, November 9, 2007
Thursday, November 8, 2007
Wednesday, November 7, 2007
Uma fiel dedicação à honra de estar vivo
Francisco de Goya
El tres de Mayo de 1808 en Madrid, 1814
Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando
lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer uma delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu
semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos,
apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum juízo final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
Jorge de Sena
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My Other Prado ou A Caça Infernal
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Labels: Literature, Painting





























